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23
Jan
2012

Praia: Presidente da Câmara fala de Segurança na capital com o Bispo da Diocese de Santiago

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O Presidente da Câmara Municipal da Praia, Ulisses Correia e Silva, visitou hoje, 23 de Janeiro, o Bispo da Diocese de Santiago, Dom Arlindo Furtado, com o propósito de envolver a Igreja Católica na discussão sobre a problemática da segurança na cidade da Praia.

"Vim convidar o Bispo para participar num Fórum Internacional sobre a Problemática da Segurança Urbana, que vamos realizar nos dias 19 e 20 de Março, na cidade da Praia, onde preocupa-nos particularmente a questão da segurança, porque continuamos com uma onda de criminalidade elevada, com uma frequência preocupante, inclusive, na semana passada tivemos mais homicídio. Por isso, queremos fazer este Fórum para partilharmos experiências. Vamos com participantes de Bonston, Brockton, New Bedford (EUA), ainda, do Salvado da Bahia, Fortaleza (Brasil), e municípios de Portugal, todos com experiência na questão da segurança urbana”.
Neste Fórum, avança o edil praiense, a ideia é criar quatro painéis, sendo: o primeiro será a Discussão da Articulação entre a Polícia Nacional e a Guarda Municipal; o segundo tem a ver com o Uso das Novas Tecnologias, como câmaras de vigilância, nas Intervenções Preventivas no Combate à Criminalidade; o terceiro painel tem a ver com a Organização Urbana, nomeadamente, a iluminação pública, a organização dos espaços urbanos e o seu papel preventivo; por último, o quarto painel será sobre a Educação, ou seja, o Papel da Escola na Educação. 

Relativamente a este último ponto, Ulisses Correia e Silva defende que existem duas abordagens, "que envolvem um conjunto de acções que têm de ser desenvolvidos e que têm efeito a médio e longo prazo. Por exemplo, a educação, uma melhor integração das famílias, a criação de condição de emprego, para melhorar as condições que mexem com as causas. Outra tem a ver com medidas a curto prazo, aqui, como os crimes têm estado a acontecer, acho que as mensagens têm de ser muito claras e decisivas. E o combate ao crime tem que ser feito com acções de polícia, acções judiciais, e com intervenções muito persuasivas e que permitem estancar o processo. Eu acho que falta esta parte, porque está-se a criar aqui em Cabo Verde uma sensação de que há quem possa negociar o crime, há quem possa chantagear com o crime e, isto não pode ser. Acho que, mesmo a delinquência juvenil tem que ser atacada forte, independentemente, do trabalho que tem que ser feito para combatermos as causas. Os crimes quando acontecem, têm que ser divididamente resolvidos, os culpados têm que ser julgados e irem para a cadeia. Os cabo-verdianos têm que sentir que não há impunidade e têm que sentir maior presença policial nos bairros. Sabe-se e alguém já disse que estão identificados os prevaricadores. Se assim, acho que a partir de agora tem que haver acções muito claras: têm que ser combatidos".

Nesta luta contra a insegurança, o papel da igreja é muito importante, considera Ulisses Correia e Silva: “assim como a escola, a família, a igreja tem um papel fundamental, no sentido de fazer com que se ganhe uma nova consciência de responsabilização individual. Também as famílias não podem continuar a desresponsabilizar-se relativamente à educação dos seus filhos, atribuindo a responsabilidade a outrem. O Estado não toma conta dos filhos. As famílias são as primeiras responsáveis pelo crescimento, pelo desenvolvimento, e pelo futuro dos filhos. E os próprios jovens têm que ter responsabilidade individual, pensando no seu futuro". 

Do seu ponto de vista, o combate contra a criminalidade requer também uma "maior eficácia" do sistema judicial e policial.

"Não tenho nenhum problema em relação ao uso de meios coercivos, desde que seja no quadro das leis", afirmou o autarca, a propósito do combate que se deve dar aos criminosos.

Em seu entender, as autoridades eclesiásticas, as escolas e as famílias têm um "papel fundamental" no sentido de fazer com que se ganhe uma nova consciência, através de responsabilização individual.

Ulisses Silva não concorda com a ideia de que devem ser o Estado ou as câmaras municipais a tomar conta dos filhos dos outros.

"As famílias são, em primeiro lugar, responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento e futuro dos seus filhos", frisou o autarca.

Relativamente à colocação de câmaras de vigilância em certas artérias da Cidade da Praia, Ulisses Silva revelou que já falou com a ministra da Administração Interna sobre esta questão, a qual vai ser um dos temas do fórum internacional sobre a segurança a realizar-se nos dias 19 e 20 de Março, na capital.

Referiu-se a um acto de vandalismo recentemente registado numa das praças da Praia (Praça da Ribeira) e até agora não se conhecem os autores destas acções, porque não há registo de imagens por causa da ausência no local de câmaras de vigilância.

Recorda que este sistema já é utilizado em várias partes do mundo, com o objectivo de não só garantir a segurança do património público, como também prevenir os actos de selvajaria.

O edil praiense propõe que sejam criadas leis que permitam a generalização dos vídeos de câmaras de vigilância e cita o exemplo do Palácio da Justiça, na Praia, que é uma instituição rodeada destes equipamentos.

"Em todas as cidades do mundo onde se utilizam os vídeos de vigilância o índice de criminalidade diminuiu", realçou Ulisses Silva.

O autarca promete continuar a fazer a "pressão necessária" para que o Governo legisle, com vista a permitir a introdução de vídeo de vigilância na capital do país.


Nos próximos dias, Ulisses Correia e Silva vai reunir-se com outras confissões religiosas, “para participarem connosco nesta reflexão”, salientou. 






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